André Regis candidato a Deputado Estadual
No último domingo, ao sairmos da Livraria Cultura, fomos abordados pelo Professor André Régis, que divulga sua campanha a Deputado Estadual pelo PSDB. Ficamos bastante satisfeitos com a argumentação do candidato, coisa que já havia acompanhado em 2008, quando André candidatou-se a uma vaga na Câmara dos Vereadores do Recife, e nos vídeos disponibilizados no site da atual campanha.
Sua proposta é se posicionar junto à classe média formadora de opinião, aproveitando seu respaldo como cientista político, advogado e professor universitário. A candidatura está dissociada de bases eleitorais sindicalistas, classistas, assistencialistas, “genéticas” ou religiosas, a exemplo do que se faz valer a grande maioria dos parlamentares de Pernambuco.
São dois os motivos que fazem desta uma candidatura extremamente valiosa para os pernambucanos. O primeiro diz respeito à capacidade, competência e formação de André Régis. O cara possui dois bacharelados (Direito na UFPE e Administração na UNICAP), dois mestrados (Ciência Política na UFPE e na New School for Social Research, de Nova Iorque) e dois doutorados (nas mesmas universidades). Como se já não bastasse tamanha competência para habilitar-lhe a um mandato legislativo, André ainda propõe uma completa renovação na forma de pensar e fazer política. Sua campanha deixa claro que nenhum voto é comprado, ou seja, não há aquela boa e velha estrutura de assistencialismo e compra de apoio de vereadores e líderes comunitários e sindicais.
Particularmente, identifico-me bastante com esta postura. Acredito que, guardada a devida representatividade dos diversos segmentos que compõem uma sociedade tão heterogênea como a nossa, a classe média, a juventude e o formador de opinião precisam também estar representados nas casas legislativas, coisa que extremamente rara hoje em dia, infelizmente. É preciso que tenhamos candidatos dissociados das tradicionais oligarquias e estruturas eleitoreiras, que agreguem o nível de instruções de cidadãos com este perfil à vontade de renovar a forma como se faz política. Por isso, acredito que a candidatura de André Régis é algo extremamente válido para nós pernambucanos, como pode ser observado no vídeo de lançamento de sua candidatura.
No entanto, na minha opinião, há dois grandes poréns nesta candidatura. O primeiro deles é um contrasenso que invariavelmente se abateria sobre a sua postura de fazer uma campanha limpa. É que ao pedir que o eleitor não vote em quem compra voto, André põe o dedo na ferida de muitas outras candidaturas, inclusive do seu próprio partido, o PSDB. E sendo a eleição proporcional brasileira a balbúrdia que é, este tiro acaba saindo pela colatra. Isso por que, diferentemente das eleições majoritárias, onde os votos beneficiam diretamente o candidato escolhido pelo eleitor antes do Confirma, as proporcionais se fazem valer do tal quociente eleitoral, um mecanismo que acaba sobrevalorizando a coligação partidária em detrimento do próprio candidato. Sendo assim, ao votar em André Régis, o eleitor beneficia não somente a sua candidatura mas as de outros políticos de seu partido, as quais ele não pode propriamente garantir que seguem seus mesmos princípios.
Poderíamos até considerar que isto se aplica não só a sua candidatura, mas a toda e qualquer candidatura proporcional no Brasil. No entanto, na minha opinião, isso se agrava pelo fato de André Régis ser filiado ao PSDB, sendo este o segundo porém de sua candidatura. Não cito isso pelo fato de claramente discordar do modelo de desenvolvimento pensado e demonstrado pelo partido para o Brasil – até por que aí estaríamos ingressando num extenso debate ideológico – mas sim pela postura eleitoral adotada pelos tucanos nos últimos anos, especialmente em Pernambuco. É que nestas eleições o PSDB optou por não se coligar com nenhum outro partido, atribuindo exclusivamente a seus 20 candidatos a responsabilidade de manter ou aumentar sua bancada de 7 parlamentares, estando todos eles concorrendo à reeleição ou apadrinhando um herdeiro político.
Sendo assim, caso André Régis não obtenha os cerca de 50 mil votos que meus cálculos cabalísticos apontam serem suficientes para garantir-lhe uma vaga na Assembleia, seus votos beneficiariam unicamente figuras como Terezinha Nunes, Pedro Eurico e Antônio Moraes. Neste cenário, o ônus de invariavelmente colaborar para eleger estes sujeitos, que compartilham do mesmo quociente eleitoral de André, não seria compensado pelo bônus de podermos contar com o seu mandato parlamentar. E sendo esta uma candidatura direcionada a um público formador de opinião, concentrada na RMR e que não compartilha de grandes currais eleitorais, tenho cá minhas dúvidas se esta é uma meta factível.
Portanto, acho provável que André Régis sofra do mesmo mal que sofreu em 2008, quando concorreu a uma vaga na Câmara dos Vereadores do Recife. Naquelas eleições, o PSDB novamente não só concorria isoladamente, sem coligações, como estava mal articulado na majoritária. Isso fez com que o partido atingisse uma soma de votos que lhe garaniu apenas uma vaga na casa, que ficou com a atual vereadora Aline Mariano, cuja candidatura obteve 5.905 votos, apenas 600 a mais (aproximadamente) que a excelente votação de André.
Sendo assim, avalio que André Régis precisaria que a conjuntura partidária lhe fosse mais favorável para assegurar uma vaga na Assembleia, já que, ao que me parece, trocar de partido com uma justificativa eleitoral vai de encontro às suas convicções políticas. Talvez tivesse sido mais válido atribuir a ele a segunda candidatura ao Senado na chapa da oposição – assumida de forma quase que olímpica pelo atual Deputado Federal Raul Jungmann (PPS) – o que lhe garantiria visibilidade suficiente para eleger-se tranquilamente à Câmara do Recife daqui a dois anos, tal qual fez Luciano Siqueira em 2006. No entanto, ou esta opção não fora cogitada por André ou lá estava a questionável articulação eleitoral do PSDB novamente confabulando contra suas aspirações políticas.
Suposições à parte, não tenho dúvidas de que André Régis é uma das melhores opções apresentadas aos pernambucanos para a renovação da Assembleia Legislativa do estado. Acredito que sua competência e preparo demonstrados no mundo acadêmico são mais do que suficientes para habilitar-lhe de forma consistente a este pleito. Não terá o meu voto unicamente por uma questão partidária de cunho ideológico (e não eleitoral), ainda que colaborem para esta decisão os poréns que cito neste post.
Torço muito para que um dia possamos contar com sua atuação parlamentar no Recife ou em Pernambuco. Tenho certeza de que a política, se encarada por nossos representantes tal qual o faz André Régis, seria bem mais produtiva e respeitada por todos nós.
PS: Sim, uma reforma política e eleitoral no Brasil é mais do que urgente.
