Os partidos e suas figuraças políticas
Este post foi alterado graças à colaboração do amigo Pedro Leão.
Um dos fenômenos mais interessantes da midiatização da política é o surgimento de sujeitos políticos oriundas do show business. Cantores, dançarinos, apresentadores de televisão, atrizes pornô, palhaços, jogadores de futebol, todas as figuras que se enquadram nessas categorias são, atualmente, potenciais candidatos para as próximas eleições.
Durante o último pleito, falei algumas vezes sobre perfil de candidato (você pode conferir os posts com a tag Candidatos Escrotos). Pink, Frank Aguiar, Clodovil, Gretchen, Odete, Mauro Shampoo Show, todos tiveram seus momentos de glória nestas linhas. No entanto, acredito que deixei passar talvez o mais ilustre deles, o dançarino e travesti Léo Kret, do PR da Bahia, eleito com mais de 12 mil votos para o cargo de Vereador em Salvador, sob o sugestivo número 22024.
Nascido Alessandro Sousa Santos, Leo Kret (Kret, de Kretina) (sic) é dançarino e líder da banda Leo Kret do Brasil, que faz sucesso nas baladas de pagode da capital baiana (sic de novo) . Além de ter sido o primeiro travesti eleito no Brasil, o novo vereador de Salvador carrega consigo outras polêmicas, tais como a dúvida sobre qual banheiro será utilizado por ele.
Uma coisa que me chamou a atenção foi o fato de Kret, filiado ao PR, ter sido o segundo candidato mais votado da Coligação a Força do Povo, formada pela união de seu partido com o DEM. Isso por que, em Recife, durante as últimas eleições, observei que o DEM apresentou alguns candidatos com o perfil de Leo Kret do Brasil (ok, nem tanto). Foram eles a cabelereira e ex-BBB Pink, o patinador e empresário Cuscuz, o árbitro de futebol Wilson Souza e o jogador do pior time do mundo, Mauro Shampo Show.
Juntos, esses candidatos foram responsáveis por 6.265 votos do partido na cidade, algo em torno de 13% do total. Se considerarmos que o quociente eleitoral do Recife foi de aproximadamente 24 mil votos em 2008, podemos dizer que Pink, Cuscuz, Wison Souza e Mauro Shampo Show foram responsáveis por 25% de uma das três vagas alcançadas pelo partido. Pink, inclusive, chegou a ficar na primeira suplência, com mais de 4 mil votos.
A pergunta que fica é: será que um partido como o Democratas precisa realmente destas figuras para sobreviver politicamente?
