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A farra jovem nas eleições de Pernambuco

No não tão distante ano de 2002, meus domingos eram agitados pelas baladas do então candidato a Senador Sérgio Guerra (PSDB). Era meu ano de vestibular e, após algumas horinhas de estudo, eu me mandava com os amigos para o Comitê, que ninguém era (nem é) de ferro. Como todo bom político sério deste país, Sérgio empunhava seus óculos de lentes amarelas e se punha ao lado do DJ que comandava a balada no primeiro jardim de Boa Viagem. Ao som de muito trance, house, dance, funk regados a uma boa cerveja, a juventude engajada na balada do Guerra discutia uma política danada com o som aquelas alturas. Até que ponto a juventude influenciou no resultado de Guerra nas urnas eu não sei. O fato é que o debate zerado daqueles domingos pareciam ser uma tradução da forma como o candidato-DJ encarava a juventude.

No entanto, sem dúvida, há um exemplo melhor que o de Sérgio Guerra. Não só o comitê, como todas as atividades ligadas ao então candidato pelo PMDB à Prefeitura da Cidade do Recife, Carlos Eduardo Cadoca (aquele, do sorriso), contavam com um batalhão de moças e rapazes, todos devidamente uniformizados com o abadá laranja que marcou a campanha de 2004. Comitês ao som de muito forró, casas com equipamentos de som no pátio de eventos de Gravatá durante a Semana Santa, bloco de Carnaval, tudo fez parte da estratégia do atual pré-candidato socialista-cristão, que, ao que tudo indica, manterá sua estratégia para .

Como 2ª vereadora mais votada nas eleições de 2004, a hoje presidente da FUNDARPE, Luciana Azevedo (PT), encontrou seu nicho em uma programação jovem um pouco mais cult. Ao invés da balada da direita, Luciana promovia farras homéricas às margens do Rio Capibaribe, em uma casa totalmente pintada de cor-de-rosa, cor que adorna seu antigo gabinete na Câmara dos Vereadores, atualmente ocupada pelo vereador Fernando Nascimento (PT). Bandas bacanas como Forró Rabecado e apresentações de grupos culturais faziam a programação do palco do comitê, hoje derrubado para a ampliação da avenida Beira-Rio. Uma pena é que, em momento algum, a coordenação da campanha se preocupou em fazer com que a multidão que se aglutinava na rua pouco movimentada prestasse atenção às apresentações, já que aquela cerveja bem gelada vendida nas bicicletas enfileiradas na calçada faziam muito mais sucesso. Confesso que cheguei a freqüentar a baladinha, que acontecia às quintas-feiras, e, em muitas oportunidades, senti um cheiro esquisito e familiar de coisa queimando que vinham das ervas-daninhas que crescem nas margens do rio. Devia ser estes micro-incêndios que acontecem em dia de festa no Recife…

A péssima notícia é que a farra continua e, este ano, começou mais cedo. Assim como o carnaval, as eleições já marcaram suas primeiras prévias festeiras faltando ainda um bom tempo para a abertura oficial do período de campanha. Melhor para os candidatos que levam a juventude a sério. Tem aí uma oportunidade de trabalhar com uma parcela crescente da população da cidade, através de propostas e programas de alto reflexo social. Difícil mesmo é encontrá-los e, mais difícil ainda, votar neles.

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Sobre

Fernando de Holanda, 23 anos, também conhecido como Dukah. Publicitário e administrador, é graduando na UPE e UFPE. Saudosista confesso, é fã de discos de vinil e do seu Fusca 79. Arranha um violão, é apaixonado por política e antenado em gestão de carreiras. Atualmente, é Trainee na Concept Marketing e Comunicação, onde atua na área de Planejamento.

Carreira

Confira os trabalhos realizados na área de planejamento publicitário.