Participar ativamente da política no Brasil não é uma coisa fácil. Não obstante as tantas outras demandas pessoais que se apresentam neste chamado tempo pós-moderno, a escolha de um canal de vazão à construção e defesa de uma latente ideologia política não é simples.
As possibilidades se apresentam de forma caótica, sem padrões de funcionamento como as demais searas da vida (profissão, educação, família, etc.). É o caso dos movimentos sociais, partidos políticos e associações de classe. Por trás de seus organismos, encontram-se estruturas hierárquicas embriagadas pelo egocentrismo e pela falta de objetividade. A impressão que dá é que a política não se renovou no âmago da sociedade, o que justifica a falência do sistema político-representativo institucional.
Àqueles que buscam um engajamento, resta continuar procurando (e convivendo com um sentimento de potencial frustração) ou se render àquilo que se apresenta como viável, ainda que, para julgá-lo, seja preciso – ou muito relevante – experimentá-lo. Me considero uma dessas pessoas que ainda não acertou o prumo do ativismo político. As experiências com o movimento estudantil, o voluntariado e a filiação partidária nunca foram suficientes para garantir-me a sensação de que o caminho poderia ser traçado por ali. Neste ínterim, a inquietação e a certeza da vocação inata permanecem intactos, ainda que alimentados de forma passiva pela busca do conhecimento e algumas poucas oportunidades de debater e se expressar.
Eis que neste domingão de Sol, percebi que o ato de desfiliação do grupo ligado à ex-Senadora Marina Silva parece ser um reflexo exato deste sentimento. Pensei que, guardadas as devidas proporções, eu posso não estar sozinho. Fiquei com a sensação de que pesquisar sobre o tal movimento – que, sem nome, é designado nas redes sociais apenas pela hastag #novapolítica – pode ser uma alternativa que me dê clareza sobre esses possíveis caminhos. E, citando o poeta Caetano Veloso, buscar, através da política, “capturar as forças regenerativas da sociedade e trabalhar a partir delas”. “Ou não”.

Sem comentários ainda
Deixe um comentário
Para sua imagem aparecer nos comentários, cadastre-se no Gravatar com o mesmo e-mail com o qual comentou