A última pesquisa publicada pelo Diário de Pernambuco reafirma algo que eu já tenho em mente há algum tempo. Nas eleições para Prefeito da Cidade do Recife em 2008 o verdadeiro grande embate deverá ser travado entre os candidatos João da Costa (PT) e Carlos Eduardo Cadoca (PSC). Aí você me pergunta: por quê?
João da Costa se faz valer da teoria do andor, onde os votos dos eleitores que aprovam a atual gestão do Prefeito João Paulo (PT), migrariam naturalmente para sua candidatura. É verdade. De acordo com a pesquisa, 57% dos entrevistados aprovam a continuidade da linha de trabalho que vem sendo encampada pela atual gestão há 8 anos. Este percentual migraria naturalmente para a campanha do atual Deputado Estadual, que teria, de acordo com o cruzamento das informações, 43% de intenções de voto.
Neste sentido, é possível que essa seja uma eleição de primeiro turno? Muito provavelmente não. Sabemos que, com o começo do Guia Eleitoral, tudo há de mudar, porém, e tendência é que a multipolarização proporcionada pelo esfacelamento da antiga Aliança Por Pernambuco diminuiu substancialmente esta probabilidade. A exemplo do que aconteceu nas últimas eleições para Governador do Estado, a tendência natural é que o debate político se polarize nas figuras de João da Costa (PT) e Mendonça Filho (DEM), o bom e velho e tradicional debate esquerda-direita ao qual todos já estamos acostumados. Em 2006, este cenário abriu caminho para o então 3º colocado nas pesquisas, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo Campos (PSB) disparar na reta final e alcançar a vitória em um segundo turno onde as eleições já pareciam estar definidas.
Na minha avaliação, algumas figuras vão se inverter, mas teremos um primeiro turno muito parecido: com João da Costa e Mendonça Filho arrancando os rabos, Cadoca deverá crescer e terminar o primeiro turno como segundo colocado. Isto por que a candidatura de Mendonça Filho apresenta todos os pré-requisitos para o insucesso eleitoral: inexistência de uma coligação sólida, poucos vereadores trabalhando em prol da campanha, um candidato com imagem fraca, sem histórico de eleições majoritárias, baixa penetração na periferia da Cidade, um discurso que vai de encontro ao Governo Lula, que tem em Pernambuco o maior índice de aprovação do país, enfim, são N os argumentos que podem sinalizar uma queda vertiginosa de Mendonça a partir de agora.
Para Cadoca, o grande desafio é apropriar-se dos votos que deverão fugir da candidatura de Mendonça e dos míseros 9% com os quais o candidato Raul Henry (PMDB) deve acabar o primeiro turno. Diminuir seu índice de rejeição, que, de acordo com a pesquisa do Diário, está em 50%, é o grande trabalho de sua coordenação de comunicação. Pelo que soube, a tarefa está sob a responsabilidade de ninguém mais, ninguém menos que Ricardo Rique, um dos publicitários (ou talvez o publicitário) mais tarimbados e criativos do Nordeste.
Aí é onde a coisa pega, no tal segundo turno. Cadoca, apesar de seu histórico junto a Jarbas, posiciona-se como integrante da base aliada ao Governo Lula. João da Costa, que teoricamente não tem mais para onde crescer, tem um alto índice de rejeição em junto aos eleitores que optaram por Mendonça no primeiro turno e vai ter que suar para manter-se em primeiro quando se iniciarem as pesquisas para o segundo turno. Vai ser briga de gente grande e, neste cenário, as probabilidades ficam cada vez mais improváveis. Agora é esperar para ver.


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