Quando a imprensa anunciou o grave estado de saúde o ex-Governador de Pernambuco, Miguel Arraes de Alencar, ninguém esperava que os boletins médicos fossem se estender por tanto tempo. Uns por que acreditavam piamente em sua rápida recuperação. Outros por que já aceitavam o fato de que, do alto dos seus 89 anos, Arraes estaria pronto para enfrentar outras batalhas, agora em outro plano, que não o da política do Brasil.
O que se sucedeu a partir de então foi uma verdadeira luta em favor da vida, disputada em silêncio pelo então Deputado Federal, que permanecia em estado de coma. Vencido no 13 de agosto de 2005, quase um mês após o anúncio do seu internato, Arraes deixou no Estado e no Brasil uma comoção pública promovida até então por poucos brasileiros. O velório, ocorrido no Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo do Estado de Pernambuco, foi um dos fenômenos políticos mais marcantes da história do país. Não só pelo fato de que ali estivesse presente um dos homens públicos mais importantes da política nacional, mas também pela carga emocional trazida por aqueles que lhe prestaram suas últimas homenagens lembrando as mudanças de vida promovidas pela conduta de Miguel Arraes em seus anos à frente do Poder.
Neste período, a figura de Evaldo Costa, atual Secretário de Imprensa do Governo do Estado de Pernambuco, era uma constante na mídia. Diariamente, era possível escutá-lo, em diversas emissoras de rádio e televisão, informando à população a condição do ex-Governador. Dia após dia, Evaldo parecia carregar consigo - apesar do visível abalo físico e emocional - a esperança de dar à população a notícia da plena recuperação de Arraes.
Uma vez constatado falecimento, a memória e história de Miguel Arraes foram resgatados de diversas formas, nos mais variados veículos de comunicação. Pessoas próximas ou que nunca haviam tido contato com o ex-Governador espalharam pelo país palavras de respeito e admiração àquele que se fora.
Atento à produção crônica acerca da partida de Miguel Arraes de Alencar, Evaldo Costa organizou, em forma de livro, quarenta e cinco crônicas publicadas por formadores de opinião da sociedade brasileira durante o mês do falecimento do “Dr. Arraes”. Cartas de Agosto é uma síntese desta produção. Seu conteúdo apresenta opiniões emitidas através de diversos prismas sobre a partida, a história e a memória de um dos homens públicos mais sérios e humanistas da política nacional. Homem que teve à mão instrumentos de transformação e fez deles sua bandeira de vida e da vida de muita gente. Gente que está implícita nas crônicas publicadas no livro, que escreveram junto com Miguel Arraes importantes linhas da história do Brasil.
Singelo na apresentação e denso em sua carga histórica, política e emocional, Cartas de Agosto, publicado pela Fundação João Mangabeira, é biblioteca fundamental para aqueles que pretendem compreender um importante capítulo da história do Brasil no século XX. Sua grande mensagem, após as 45 crônicas, está sintetizada na forma como se encerra sua apresentação: “Arraes vive!”.

Sem comentários ainda
Deixe um comentário
Para sua imagem aparecer nos comentários, cadastre-se no Gravatar com o mesmo e-mail com o qual comentou