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e-2010? Eleições e novas mídias

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do blog Acerto de Contas

por Victor Carvalho
victor@cipecnet.com.br

Enquanto as eleições do próximo ano geram muito debate na imprensa e em alguns setores da sociedade, na cabeça de vários profissionais de comunicação campanhas já são arquitetadas. A engenharia eleitoral é complexa e exige, acima de tudo, criatividade, organização e muita, muita sinergia, além de recursos econômicos, é claro. Não há dúvidas de que para 2010, as principais ferramentas não devem mudar. A televisão e o rádio permanecerão prioridades, mas qual será a atitude dos consultores políticos em relação às chamadas novas mídias?

As últimas campanhas para presidente e governador não foram muito além das páginas virtuais com informações básicas sobre o perfil do candidato, suas realizações, principais pontos do plano de governo e agenda (desatualizada, em muitos casos). O uso do youtube, em 2006, foi incipiente. Em geral, a página de vídeos serviu apenas para reproduzir o conteúdo elaborado para os programas de TV. Houve exceções, alguns sites disponibilizavam banneres virtuais, jingles para downloads etc, mas, no conjunto da obra, a energia e os recursos mobilizados para este segmento foram poucos.

Tudo bem, no Brasil, diferente do resto do mundo, existe horário político gratuito de TV e rádio, o que reforça o compromisso das campanhas com esses veículos, mas a verdade é que, em toda América Latina, há poucos registros de campanhas políticas eficientes e com firmes bases em internet. Uma série de fatores explica esta subutilização. Um deles é o limite legal para campanha on-line, que muda a cada eleição.

No entanto, o sucesso do uso político de novas ferramentas eletrônicas como facebook, twitter, youtube e second life na vitoriosa campanha de Barack Obama já provoca mudanças no olhar dos profissionais de campanha em relação às novas ferramentas da internet. Ano passado, nas eleições municipais brasileiras, vários sites de campanhas majoritárias possibilitavam ao internauta ver e ouvir programas produzidos para rádio e TV. Algumas equipes chegaram, inclusive, a criar conteúdos exclusivos para veiculação na rede.

Mas a verdade é que, no Brasil, em 2008, a internet funcionou como uma extensão das mídias tradicionais, não como um elemento estratégico. Nos Estados Unidos foi diferente. A equipe de campanha do novo presidente enxergou e conseguiu alcançar uma nova geração de eleitores, que hoje se relaciona em um ambiente diferente, “uma esfera pública emergente”, como menciona David M. Faris em artigo publicado na primeira edição da Politics and tecnology review, revista científica editada pela George Washington University. O autor não quantifica categoricamente o efeito das novas mídias em seu estudo de caso, mas vai direto ao ponto quando afirma que estas também têm um papel na formação de consenso na sociedade.

Para 2010, já se pode arriscar um palpite. As campanhas estaduais tratarão a internet ainda como acessório, mas em nível nacional, as mídias on-line serão mais valorizas. As principais campanhas presidenciais lidarão com as redes sociais da internet com maior interesse e cuidado. Será um momento de aprendizado e as equipes terão muita cautela na avaliação dos custos e dos benefícios do investimento.

Ainda em 2007, mais de um ano antes do pleito final, a campanha de Barack Obama contratou Chris Hughes, um jovem de 24 anos, graduado em Harvard e co-fundador do facebook, maior site de relacionamento do mundo. Será que as campanhas brasileiras darão a mesma importância às novas mídias?

* Victor Carvalho é jornalista e gerente de projetos do Centro Integrado de Pesquisa e Comunicação (Cipec

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