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Eleições municipais no Recife: prato cheio para a denúncia política

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As últimas três eleições municipais do Recife foram marcadas pela ostensiva utilização da denúncia política nas estratégias de campanha dos candidatos. Neste ínterim, fatos inusitados e inéditos, como o segundo turno nas eleições de 2000, caracterizaram os pleitos de uma cidade cujo crescimento populacional e econômico foi acompanhado pelo acirramento das disputas eleitorais.

A partir de sua primeira eleição como prefeito da cidade, em 1992, o atual Senador Jarbas Vasconcelos ganhou significativa projeção política, tornando-se, atualmente, a principal referência eleitoral do Estado de Pernambuco. Após ter combatido as práticas antidemocráticas do regime militar ao lado de lideranças históricas do estado, como o falecido ex-Governador Miguel Arraes, Jarbas aliou-se ao grupo político de direita, liderado pelo também Senador Marco Maciel, na costura de uma aliança que ficaria conhecida como União por Pernambuco, que o manteve no Governo do Estado durante 8 anos. Ao bater o ex-aliado do Partido Socialista Brasileiro (PSB) nas eleições de 1998 por uma diferença histórica de 1,2 milhões de votos, Jarbas Vasconcelos passou a exercer influência direta sobre os rumos das eleições no Recife. Nestes últimos 10 anos, o senador é considerado como o principal eleitor dos candidatos, tanto a nível municipal quanto estadual, na majoritária e na proporcional. Apesar da comprovada força, seu grupo político parece não ter resistido a cinco derrotas consecutivas (três no âmbito municipal, duas no federal e uma no estadual) para o grupo de esquerda e disputou sua última eleição os principais partidos coligados (PMDB, PSDB, DEM e PP) em 2006.

O contexto político-eleitoral encabeçado pela aliança jarbista e pelo PT foi ainda acompanhado por diversas tentativas de formação de uma terceira via política na cidade. A teoria, considerada por muitos como impossível, foi encampada na candidatura de Eduardo Campos ao Governo do Estado em 2006, que, ao sagrar-se vitoriosa, contrariou a opinião de diversos analistas políticos acerca de sua viabilidade. Seus reflexos nas eleições municipais podem ser verificados no extremo registrado nas eleições de 2008, quando três candidatos que em 2006 integravam o mesmo palanque lançaram-se ao pleito como adversários. Nas eleições anteriores, a chamada terceira via fora protagonizada por importantes figuras do cenário político estadual, tais como o ex-Governador e ex-Prefeito do Recife, Joaquim Francisco, e o atual Deputado Federal Carlos Wilson Campos.

A análise dos três últimos pleitos municipais indica que a denúncia política tem exercido influência direta sobre seus resultados. Acompanhadas por um contexto político de grandes alianças em torno de políticos que até bem pouco tempo tinham pouca expressividade no eleitorado municipal, as eleições recifenses são um retrato fidedigno das disparidades sócio-econômicas da cidade. Ao ser submetido a campanhas com guias eleitorais de alta qualidade técnica e baixa qualidade propositiva, o predominante eleitorado de baixa classe social da cidade tende a se engajar cada vez mais nos episódios e escândalos apresentados pelos candidatos, fazendo deles o principal referencial para sua decisão nas urnas. Os escândalos, acusações e intempéries apresentados na análise deste histórico são um exemplo claro desta realidade.

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