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Faculdade Maurício de Nassau: o câncer das Graças.

A mercantilização da educação é uma triste realidade do Ensino Superior no Brasil. Além da flexibilização da legislação, que proporcionou, nos últimos 5 anos, o boom deste “mercado”, o Programa ProUni, do Governo Federal, fez com que a faculdade se tornasse um negócio da China. A conta é bem simples: Seu Zé, dono da mercearia, compra 10 caixas de leite, cada uma com 12 unidades cada. O leite, que vence na próxima semana, encalhou nas gôndolas, e seu Zé só conseguiu vender 70% da mercadoria, ou seja, 7 caixas. Uma vez que o Governo tem o intuito de aumentar o consumo de leite na região, a fim de mostrar os números na próxima campanha eleitoral, as 3 caixas de leite que sobraram são compradas pelo Governo Federal, através de um programa que tem como desculpa o bem estar social e o desenvolvimento do país. Pronto. É mais ou menos assim que o ProUni funciona. O Governo “compra” as vagas que sobram nas instituições privadas e as preenchem com alunos que não têm condições de pagá-las. Sendo assim, as cadeiras nunca “encalham” nas salas de aula.

Há um tempo atrás, tive a oportunidade de participar de uma pesquisa para a formatação do programa de estágio da CONCEPT Marketing e Comunicação, empresa onde trabalho. O objetivo era fazer uma sondagem rápida sobre a evolução do quadro de vagas para o curso de Comunicação Social / Publicidade e Propaganda na cidade do Recife/Pernambuco. Como macaco velho no assunto, já desconfiava que viria uma bomba por aí. No entanto, para minha surpresa, meus cálculos sobre o crescimento do número exacerbado de vagas na área estavam muito aquém da realidade. Na verdade, de 1999 para 2007, ano em que foi realizado o levantamento, houve um aumento de 650% do número de vagas no ensino superior do referido curso. Isto mesmo: seiscentos e cinqüenta por cento. Um absurdo? Não para boa parte das faculdades particulares, que seguem uma lógica de mercado bastante simples: é preciso aumentar a receita e diminuir custos e despesas. Como se faz isso? Basta lotar a sala de aula, oras!

quadro-de-vagas.jpg
Evolução do quadro de vagas para o curso de Comunicação Social/Publicidade e Propaganda na cidade do Recife/Pernambuco.

topoftjanguie.jpgNeste cenário, uma instituição, sem sombra de dúvidas, é um excelente exemplo. A Faculdade Maurício de Nassau é uma empresa da ESBJ e JJ Participações e tem como dirigente o Dr. José Janguiê Diniz, professor fictício da UFPE (Janguiê, segundo informações, não aparece da FDR nem para o cafezinho), Procurador Regional do Trabalho, Presidente do IBED, proprietário da Faculdade Joaquim Nabuco (sua “marca de combate”) e, mais recentemente, editor do Blog do Janguiê. Situações macroeconômicas a parte, a FMN se destaca pelo crescimento exponencial que vem obtendo nos últimos anos, que pode ser verificado pelo frenético crescimento do seu campus no Recife, que se divide entre o bairro das Graças e o Centro da Cidade. Além destes, a faculdade conta ainda com unidades em João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Lauro de Freitas (BA) e Salvador (BA).

Atualmente, segundo informações do MEC, a entidade dirigida por Janguiê já tem mais vagas autorizadas para os cursos de Graduação que a própria Universidade Federal de Pernambuco ou a Universidade Federal da Paraíba. Nada mal para quem tem menos de 10 anos de vida.

predio_blocoa.jpgBom, o assunto que pretendo abordar aqui é a irresponsabilidade do crescimento imobiliário da Instituição. No início, as instalações da faculdade dividiam espaço com o Bureau Jurídico Colégio & Curso, no prédio localizado na Rua Guilherme Pinto. O BJ é um outro empreendimento do grupo.

predio_mafua.jpgEm 2004, este prédio foi estendido com a aquisição das antigas instalações da Fundição Capunga e do Restaurante Mafuá do Malungo (casa viveu o poeta Manoel Bandeira). À época de sua aquisição, os imóveis foram pintados com as cores da faculdade (laranja e azul, se não me engano), desrespeitando totalmente o tombamento dos imóveis históricos do largo onde se localizam. O fato é que, pouco tempo depois de seu “apapagaiamento”, o Ministério Público interveio e a instituição, antes de ser obrigada, pintou os prédios com cores pouco mais sóbrias, mas não menos incoerentes com a arquitetura das construções.

predio_blocod.jpgA partir de então, a construção civil passou a fazer parte das disciplinas lecionadas pela faculdade. Em menos de cinco anos, oito prédios foram inaugurados ou ocupados pela instituição, que, atualmente, toma boa parte dos imóveis antes disponíveis (ou não) no Bairro das Graças (por coincidência, onde moro). O Bloco B, por exemplo, localizado na praça da Rua Guilherme Pinto, foi erguido em tempo recorde. O Bloco E, idem. As casas em torno deles hoje servem de apoios pedagógicos e afins. A cada semestre, novas unidades ocupam as casas antes residenciais. Na Rua Joaquim Nabuco, o Bloco D foi inaugurado, além da ocupação da casa onde recebeu o Comitê de Campanha do Deputado Federal Armando Monteiro, que abriga o Escritório Jurídico Junior.

Enfim, tudo o que rolar, a FMN está dentro. Estrutura para estacionamento próprio? Inexiste. Preocupação com o aumento do tráfego de automóveis no horário de aulas? O que é isso? Preocupação com a estrutura sanitária do bairro? Ah, deixa disso! Como se já não bastasse toda esta movimentação, o MPPE ainda cita a instituição como ocupante de seis imóveis sem alvará de funcionamento. Como são caretas esses caras do Ministério! Para que essa história de alvará, afinal?

A última empreitada do grupo foi a aquisição de um imóvel na Rua Jacobina, projetado pelo arquiteto Vital Melo e jardim do paisagista Burle Marx. De acordo com informações que obtive, a idéia era construir um edifício-garagem. A empreitada seria construída em rua estreita e totalmente sem estrutura, mas claro que isso é besteira. A intervenção do Ministério Público impediu qualquer alteração física no imóvel até que o tombamento do imóvel seja regularizado. Segundo trechos da ação do MPPE, “A forma irregular e desorganizada como o mencionado complexo educacional vem se instalando contribui decisivamente para comprometer, talvez de forma irreversível, a ambiência e a qualidade de vida num dos bairros mais pitorescos da cidade”.

Espero sinceramente que a ação do MPEE não se resuma à ação do dia 27 de agosto de 2007 e que os limites sejam respeitados. Mas, é claro, isso é tudo besteira minha!

20 comentários

  1. Tatiane Cavalcanti comentou em 20.04.2008 às 5:52 pm

    isso é pura inveja

    ainda bem que alguém leu isso aqui.

  2. Marcos Fernando comentou em 10.05.2008 às 5:57 pm

    oi Esrael,
    sou estudante da fmn,e gostei muito do seu arquivo.Gostaria de sber se vc pode mim ajuda com meu tcc. estou abordando o tema sobre a influência das campanhas publicitárias da fmn sobre os jovens carentes de Recife.

    att Marco Fernando

  3. Carlos André comentou em 04.07.2008 às 8:37 pm

    Li esse artigo, cujo conteúdo não possui nexo com seu propósito inicial, ou seja, pulicidade e propaganda.

    O que tem “a ver” os prédios da maurício de nassau com o mercado de publicidade e propaganda ???

  4. Se muda das Graças!!!

  5. joaquim comentou em 11.09.2008 às 9:43 am

    esse cara é mt mané…
    dve ter sido a universo q pagou pra ele escrever essa m…

  6. Prezados,

    Segue mais notícias sobre a Maurício de Nassau:

    Segundo o MEC, UFPE é a 23a. melhor do país. Maurício de Nassau é a 4a.pior.

    http://acertodecontas.blog.br/educacao/segundo-o-mec-uf pe-a-23a-melhor-do-pas-maurcio-de-nassau-a-4apior/

    http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&t ask=view&id=11213&Itemid=11213

  7. rafaela comentou em 09.10.2008 às 12:01 pm

    concordo plenamente com voce. sou arquiteta e o que a fmn faz é um desrrespeito à cidade. o ultimo caso, esse da casa da rua jacobina foi o que me deixou mais chateada, pois a casa do grande arquiteto Vital Pessoa de Melo é um importante exemplar de arquitetura brutalista no recife, fora o lindo jardim de burle marx que ela possui. fico indignada, sem entender como donos de universidades podem se comportar de maneira tao agressiva à ciencia. essas pessoas que comentaram aqui contra a sua colacação, sao apaenas alguns dos alienados que essa instituição de “ensino” abriga em seus corredores.

  8. Doug comentou em 11.10.2008 às 9:28 pm

    O que a inveja não faz hem?! rsrsrs
    Se Exploda de inveja mané!
    Sou Nassau não faço por menos!

  9. Eu comentou em 12.10.2008 às 12:31 am

    Vamos esclarecer uma coisa aqui. Sou graduado em administração pela federal e tenho pós pela fafire e atualmente curso farmácia pela FMN, logo tenho alguma autoridade para comentar o assunto já que conheço os dois lados da moeda. O que é de fato é que graduandos da federal ou UPE se acham superiores intelectualmente aos demais. Convenhamos isto é uma tremenda prepotência e total falta de humildade. Existem alunos na esfera privada tão bons ou mesmo melhores que aqueles da esfera federal ou estadual, porém há de se convir que isto é uma excessão. A grande maioria está apenas “pagando” pelo diploma enquanto uns poucos realmente dão duro para um dia se tornarem grandes profissionais. Também para não ser de um tanto injusto estas coisas também ocorrem na federal ou UPE porém em menor grau. Em se tratando de faculdades particulares existem várias instituições que prezam pela qualidade do ensino. Eu por exemplo tiro o chapéu para a Fafire (onde conclui minha pós). Excelente instituição assim como a Católica que também é de muito boa qualidade. Mas voltando a Maurício de Nassau, cuja faculdade também sou aluno, esta instituição é sofrível. Que me desculpem aos que se orgulham em ser alunos dela, em meus quase 3 anos de FMN não tenho um único elogio sequer a fazer. Péssima biblioteca, terrível fluxo de informações e atividades, vários professores sofríveis, inexistência de coordenação (ao menos em meu curso), administração precária etc. Isto sem falar nos estudantes que em sua maioria mal sabem ler ou escrever. Duvidam? Que tal ler os comentários acima dos estudantes FMN e verificar vários HORRORES em nossa língua como por exemplo: “pode MIM ajuda com meu tcc”. Eu sofro quando vejo este tipo de coisa!! KKkkkKKKkkKKk

  10. VERA LUCIA DE ARAÚJO comentou em 17.10.2008 às 2:03 pm

    acho que a iniciativa privada só existe porque o estado não cumpre o seu papel social - e é isso que vem acontecendo no BRASIL inteiro, em relação principalmente a educação - que é o setor primordial no tocante ao desenvolvimento e crescimento social e humano, por isso não culpo e nem absorvo a FMN, ela apenas está ocupando uma lacuna existente, se bem ou mal caberá ao estado e a seus usuários verificarem tal serviços e optarem ou não por ela.

    Vera Lúcia de ARAÚJO

    Sóciologa - Canindé -Ce

  11. emanuelle comentou em 27.10.2008 às 6:25 pm

    Bando de invejosossss!!!! deixa janguier ganhar dinheiro pois é isso que ele sabe fazer!, todas as faculdades particulares e públicas deixam a desejar em algum aspecto portanto a Mauricio de nassau não e a melhor nem pior faculdade que existe, portanto sóoo admirem seu crerscimento e vibrem por ela e justamente o que a administração quer. pensar de forma boa ou ruim.

    nâo faço por menos”!!! seja nassau

  12. Emanuelle,

    Negócios e educação à parte, o post sobre o qual você comentou no fernandodeholanda.com diz respeito à forma como a FMN está promovendo seu crescimento físico. Infelizmente, esta prática não é digna de admiração ou muito menos vibração. Além da ocupação irregular de 6 imóveis, a superpopulação universitária com a qual as Graças convive graças à Maurício de Nassau traz consigo diversas mazelas sociais, como trânsito, comércio ambulante, problemas sanitários e até mesmo comércio de drogas, que hoje pode ser encontrado na rua das Pernambucanas, com endereço fixo e tudo mais. Tenha certeza de que é muito mais valioso para o estudante estar atento a estas questões do que bradar aos quatro cantos o título da nova campanha publicitária da faculdade.

    Abs e continue visitando o nosso site.

    Fernando de Holanda

  13. Edilson comentou em 28.10.2008 às 2:06 pm

    Fernando,

    Já ouvi alguns críticas feitas a Faculdade Maurício de Nassau, mas nenhuma com tanto detalhes. Pois educação não é só feita de cursos, diplomas, mas com consciência e responsabilidade.

  14. alcidesio barbosa comentou em 02.11.2008 às 9:54 pm

    Excelente artigo sou estudante de direito 6º periodo fmn e vejo como a educação é tratada como negocio de troca entre o poderosos que mandam e desmandam com a lentidão de nossa justiça ate quando certos absurdos como este e outros que acomtecem, mas uma coisa é crescer com qualidade e descer na ruindade é pagar para ver.

  15. Ewerton Souto comentou em 04.11.2008 às 6:26 am

    E tudo isso para ser a pior instituição de ensino do Brasil!!!!!!!!!

    É ridiculo…

  16. RIKRDU comentou em 06.11.2008 às 7:41 pm

    FERNANDO HOLANDA E : EU, TU VAI ME DESCULPAR MAIS A MAURICIO E SI UMA DAS MELHORES IES DE PERNAMBUCO, TANTO QUE VEIO INOVANDO AGORA,COM A FACULDADE JOAQUIM NABUCO, OTIMA ESTRUTURA E RECONHECIDA PELO MEC, FORA O VESTIBULAR QUE TEM O MAIOR NUMERO DE QUESTOES DE TODAS AS IES DE PERNAMBUCO COM 64 QUESTOES, ATE A FAFIRE SAO SO 50 QUESTOES E TE DIZER QUE QUANDO ESSE ALUNO DA NASSAU QUE TU DIZ NAO ESCREVE ERRADO NAO ELE SO USOU A LINGUAGEM DA INTERNET, TU TA BEM DESINFORMADO, QUE UM CONSELHO ARRUMA UM TRAMPO E ESTUDA NA NASSAU OU NABUCO QUE TEU FUTURO TA LA,FUI

  17. Opa! Vou seguir sim o seu conselho, Ricardo. Quanto ao comentário sobre o português do aluno da FMN, observe que ele não foi postado por mim. A propósito, excelente português o seu.

  18. RIKRDU comentou em 07.11.2008 às 7:53 pm

    VALEU FERNANDO ! TU TA ESTUDANDO ONDE? EU TO COMECANDO NA JOAQUIM NABUCO NO ANO QUE VEM, E AQUILO SOBRE O ”ALUNO QUE ESREVEU ERRADO” SEI QUE NAO FOI TU FOI OUTRA PESSOA COM O NOME ”EU”, FUI

  19. Fernando comentou em 18.11.2008 às 9:59 am

    Fernando

    Por favor não deixe de se insurgir sobre este ABSURDO que estão fazendo com o bairro das Graças.
    Fiquei muito feliz quando li o seu artigo sobre ” o cancer das graças”. Finalmente! alguém se pronunciou acerca desse caos (FMN) que tomou conta das graças.

    Como morador do bairro, estou sendo diretamente afetado pelos efeitos de um crescimento não planejado, desordenado e nocivo.

    Tenho dois filhos pequenos que acordam todas as noites, no horário de saída dos alunos da faculdade. Além disso, fico sempre preocupado quando eles vão para a escola, pois não temos mais calçadas, estas estão completamente tomadas por ambulantes, que não só nos obrigam a dividir espaços com os carros na rua, como também, contribuem para o aumento da sujeira e baralho dos sons dos carros.

    Em suma, a FMN está acabando com o bairro das Graças, e o pior é que ninguém toma uma atitude.

  20. MARIANA comentou em 20.11.2008 às 6:48 am

    Putz,
    Perdi meu tempo.
    Nada aqui vale a pena.
    Deletem tudo!

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Sobre

Fernando de Holanda, 23 anos, também conhecido como Dukah. Publicitário e administrador, é graduando na UPE e UFPE. Saudosista confesso, é fã de discos de vinil e do seu Fusca 79. Arranha um violão, é apaixonado por política e antenado em gestão de carreiras. Atualmente, é Trainee na Concept Marketing e Comunicação, onde atua na área de Planejamento.

Carreira

Confira os trabalhos realizados na área de planejamento publicitário.