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Lúcio Maquinado Maia e Al Immutable Ries: Comunicação Binária a serviço da massa cinzenta

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Lúcio Maia

Chamar o primeiro trabalho solo de Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi, de obra-prima pós-mangue não é um exagero: é uma ofensa. A instigada trilha sonora das 12 faixas do álbum Homem Binário, do projeto Maquinado, nos dá aquela velha sensação de quem fez algo inovador uma vez o fará sempre.

No disco, Lúcio Maia revisita seu desfragmentado Eu anárquico despertado em 2003, quando compôs, junto com o parceiro Jorge du Peixe, a trilha sonora do longa Amarelo Manga, de Cláudio Assis. Misturando guitarras bem empunhadas, scratches, loops e participações especialíssimas – como a de Speed e Siba – Maquinado é o que podemos classificar tranquilamente como a boa nova música popular brasileira. Típico Mp3 que vai rolar na playlist de qualquer um que se preze por um bom tempo.

Em minha opinião, fazer música eletrônica “pós-neo-dadá-modernista” sempre foi desculpa de amarelo (não-manga) que não conseguia sequer dedilhar míseras 6 cordas. Até ter contato com uma fração da boa música eletrônica (made in PE), este pré-conceito fez parte de minhas audições sobre a performance daquelas vitrolas turbinadas e teclados cheios de pra-quê-isso.

Confesso que isso só começou a se tornar passado há uns 4 anos, quando tive a oportunidade de trabalhar com Marcelo Soares e Cáca Barreto, da Muzak Produções em Áudio. Além de saber muito bem como misturar duas das coisas que eu mais curto na vida – música e publicidade – os caras me abriram os olhos (ou os ouvidos) para uma porrada de sons bacanas, que praticamente mudaram minha maneira de ver (ou ouvir) o mundo.

Ao lado de Pupillo, baterista da Nação Zumbi, a Muzak mantém, em paralelo, o selo de música independente Candeeiro Records. A empreitada já rendeu belas produções, como O Outro Mundo de Manuela Rosário (Mundo Livre S/A) e Contraditório? (Dj Dolores y Orchestra Santa Massa), entre outros trabalhos, alguns deles inclusive com a participação de Lúcio Maia. No Candeeiro, tive a oportunidade de aprender a defender um bom som feito a partir de teclados, sejam de um sampler ou de um desktop, e conhecer um pouco do que se faz – e muito bem – de música boa por aqui.

Voltando a Maquinado e seu Homem-binário, reforço minha opinião sobre os que fizeram diferente no passado. Na comunicação, cito o bom e velho Al Ries, que, mesmo após os 30 anos de Posicionamento: a batalha pela sua mente, nos brindou (não tão) recentemente (assim) com The Fall of Advertising and the Rise of PR, um livro que propõe uma ruptura nos conceitos que o próprio Ries explorou e que o mercado (como sempre) tentou transformar em commoditie.

Assim como tentou fazer com o Manguebit, o mercado – ou suas toupeiras sagradas – deturpou o conceito de posicionamento, propondo-o como uma coisa simples, que todo mundo faz e que já não tem nem tanta “graça” assim. É nestas horas que dá gosto de ver, ler e ouvir respostas como Homem-Binário, do projeto Maquinado, ou 22 Immutable Laws of Branding: How to Build a Product or Service into a World-Class Brand, de Al & Laura Ries. Quem viu ou ouviu, sabe do que estou falando.

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