Muito antes do Milton Neves, O Bodegueiro já fazia Merchandising. Na verdade, o que hoje os marqueteiros classificam como Canal Tradicional foi o berço de todos os conceitos básicos de comunicação no ponto-de-venda utilizados atualmente pelas redes de auto-serviço.
Armazéns, bodegas, armarinhos e mercearias sempre tiveram no contato direto com o freguês o segredo do seu negócio. Além do calor humano do balcão, muitos embriões de Material de PDV foram largamente utilizados, mesmo antes de os próprios fabricantes enviarem seus displays, faixas de gôndola, wooblers, stoppers e etc. O Bodegueiro - sujeito esperto - foi o pai de muitas das sacadas geniais do varejo para impulsionar as vendas, espalhando pelo já conturbado ambiente cartazes, cartazetes e implementando estratégias de fluxo de tráfego e pontos naturais de exposição de produtos.
Em locais onde se vendia de um tudo, comunicação era um fator fundamental. A Bodega é a avó das lojas de departamento e tataravó dos hipermercados. O que hoje se rotula como Canal Moderno, nada mais é do que um filho estudado do Tradicional. Foi com ele, por exemplo, que ele aprendeu o tal Cros-Selling. Muito antes das dos correlatos da vida (aquelas fitinhas de amendoim expostas ao lado da cerveja), a bodega já usava a venda do pão como estratégia para aumentar o giro da mortadela, deixada estrategicamente ao lado dos francesinhos com um cartazete escrito em cartolina anunciando a promoção.
Foi também na bodega que os pontos extras nasceram e se desenvolveram. Produtos como bassôra (vassoura) e balde vez ou outra estiveram agrupados entre a segunda e a terceira porta da bodega, em um formato que hoje se convencionou chamar de ilha. As pontas de gôndola também tiveram sua primeira valorização nestes estabelecimentos. Em época de matrícula, lá estavam borracha, lápis, caderno, esquadro e compasso na ponta da prateleira, no local mais acessível para o freguês.
O estímulo a compra por impulso no check-out, por incrível que pareça, também nasceu ali. Muito antes dos displays de chão dos salgadinhos organizarem as filas dos caixas, as fichinhas de orelhão já eram posicionadas ao lado da máquina registradora, fazendo com que a dona-de-casa que aguardava a contabilidade das suas compras incluísse espontaneamente umas duas fichas para ligar pro filho que não dava notícias há quase uma semana.
O Bodegueiro - um merchandiser nato - sabia como ninguém fazer com que o freguês que chegava ali buscando um parafuso de cabo de serrote saísse com a sacolinha cheia sem ter que pagar um tostão, mas com tudo anotado na caderneta (que hoje foi substituída por um cartão magnético).
Estratégias de marketing pautadas no comportamento do consumidor não têm nada de pós-moderno. Muito antes desse blá-blá-blá todo, pequenos comerciantes transformavam seus apertados pontos-de-venda em potenciais canais de distribuição das cidades do interior ou das periferias da capital. O que hoje pode ser constatado como merchandising nada mais é do que a evolução destes conceitos, trabalhados em ambientes orientados a partir desta premissa. E dá-lhe, Bodegueiro!

Dukah! Não vi tudo ainda, mas li esse artigo e achei muito pertinente suas observações sobre a relação do merchadising com as budegas.
Gostei bastante do arquivo e da comunicação estética do site.
Parabéns pela iniciativa, Dukah.
Beijão pra tu!!
Só corrigindo meu comentário…
Não vi tudo ainda, mas li esse artigo e achei muito pertinente suas observações sobre a relação do merchadising com as budegas.
Gostei bastante do ARTIGO e da comunicação estética do site.
Parabéns pela iniciativa, Dukah.
Beijão pra tu!!
Fernando, realmente esse artigo relata fatos veridicos na história do marketing e do impulso muitas vezes incontrolavél pelo consumidor. Por exemplo, no momento trabalho em uma empresa(a href=”http://www.geeksquad.com”>Geek Squad) que foi comprada por uma multinacional chamada Bestbuy e foi incorporada em uma só. Na loja, temos pontos estrategicos de vendas e tambem um treinamento intensificado sobre estrategia de vendas, como aproximar do cliente, como identificar as necessidades do cliente e muito mais. Tudo isso que voce falou é pura verdade. Esse é um artigo muito bacana! OBS: Desculpa meu portugues errado.
ERA A SIM MESMO MOREI UM BOM TEMPO NA ROÇA E LÁ NÓS TINHAMOS UMA VENDINHA QUE HOJE É UMA CABANA TRADICIONAL DA ESTRADA QUE LIGA ILHÉUS A ITACARÉ.
FAÇO COMUNICAÇÃO SOCIAL E GOSTARIA DE OBTER ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE COMPRA POR IMPULSO