Em A Corrente Crítica, best-seller sobre a aplicação da Teoria das Restrições ao Gerenciamento de Projetos, Goldratt apresenta de forma simples e objetiva um mal que assola 100 em cada 99 estudantes (de qualquer que seja o nível): o de deixar tudo para a última hora. Batizada (ou não) pelo autor como síndrome do estudante, a velha mania de deixar tudo para última hora não é um privilégio de quem tem professor, matérias e avaliações: dentro das empresas, é cada vez mais comum ver as prioridades sendo efetivamente discutidas quando se tornam urgências (ou até mesmo emergências).
E não é que eu me tornei mais uma vítima desta famigerada síndrome? Não que eu nunca tenha deixado para estudar para a prova na última hora (fazer duas faculdades e trabalhar não foi nada fácil), mas agora o caldo entornou: é hora da entrega do meu Projeto de Conclusão de Curso de graduação, o famoso TCC. Apesar de já ter idéia (ou várias idéias) do assunto sobre o qual eu gostaria de discorrer, deixei o barco correr e só agora, às vésperas dos prazos máximos de entrega, estou efetivamente tratando-a como deveria estar fazendo há, no mínimo, 4 meses atrás. Protelei, protelei, protelei, esperei que uma série de eventos dependentes acontecessem para só então fazer com que o documento tomasse foram. E lá se foi o meu prazo.
Meu orientador, por mais gente-fina que seja, só me aceita agora com algo para apresentar. Nada de começar a orientação do zero aos 45 do segundo tempo, nem mesmo provocar reuniões diárias desesperadas. Agora, o melhor papel que ele pode fazer é fazer com que eu me oriente primeiro antes de ir chorar minhas pitangas nos ombros dele. E dá-lhe Dirceu.
Bom, só a título de curiosidade, o projeto em questão é referente à conclusão do meu curso de graduação em Com. Social / Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Pernambuco. Meu orientador é o Prof. Dr. Dirceu Tavares, do Depto. de Comunicação Social da Universidade, talvez ele o único professor de Propaganda que eu efetivamente tenha tido nestes penosos 5, anos de curso (para quem não sabe, eu tranquei um período do curso, quando estagiava na Tintas Coral).
Com os prazos todos estourados, cheio de dúvidas e com uma puta consciência pesada, lá fui eu fazer algo que nunca tinha feito antes. Não que um projeto de conclusão de curso seja um bicho de sete cabeças, longe disso. O desafio agora é adequar meu projeto e a quantidade de informações que eu gostaria (ou gostarei) de pôr nele ao tempo que eu tenho disponível. Foi aí que vi uma bela oportunidade de aplicar o pouco que sei sobre Gerenciamento de Projetos nesta empreitada.
Há alguns meses atrás, fui apresentado por uma das maiores cabeças pensantes (que conheço de perto) um software on-line de GP chamado Zoho Projects. Através dele, um usuário pode fazer toda a gestão do projeto, como definição de atribuições, relevância das atividades, prazos, dependências, etc. Uma belezinha, de interface simples e de conteúdo colaborativo facilmente gerenciável.Bom, de Zoho na mão e bomba na outra, fui transformar a minha monô (apelido carinhoso da garota) em um Projeto propriamente dito.
A primeira etapa das atividades foi definir quem eu gostaria de envolver no projeto. Além de mim e do meu orientador, quais seriam as pessoas interessadas (e interessantes) que poderiam me ajudar nesta empreitada. Foi aí que dois nomes naturais me vieram a cabeça: a namorada (é claro, sempre ela) e o amigo Rogério Morais, administrador que ministra um curso de Introdução ao Gerenciamento de Projetos na Extensão da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP/UPE). Sim, eu meti eles nesta roubada.
Depois disso, foi partir para o abraço. Definir as metas com base no calendário informado pela secretaria do curso e as etapas que deveriam ser cumpridas por mim e por eles. Confesso que esta não foi uma fase complexa, mas fiquei com a sensação de que está faltando alguma coisa. Como metas, defini a entrega e apresentação do Projeto. As listas de tarefas foram agrupadas em Burocracias (documentos a serem entregues, convites de banca, etc.), Desenvolvimento do Texto (o caldo da história), as Futilidades (forma carinhosa de agrupar atividades como este post) e o Controle do Projeto em si (no qual Rogério há – tenho fé – de me ajudar). Os prazos super-apertados fizeram com que o meu GANTT parecesse um sachê de catchup aberto na marra, com manchinhas vermelhas salpicadas para tudo quanto é lado.
Por enquanto, não tenho nada mais a comentar sobre este projeto, até por que a maioria das etapas ainda têm uma grande interrogação na frente delas. O que eu sei é que o projeto como um todo há de me consumir cerca de 120 horas. Acredite, isso é muito mais do que a maioria dos alunos que cumprem todos os prazos possíveis e imagináveis investem em seus TCC. A diferença é que a maioria distribui-as de forma mais inteligente que a minha, que já pode ser considerada um case de síndrome do estudante.
Como a lista Futilidades ainda contém algumas tarefas relacionada a este blog, eu vou ficando por aqui. Daqui a alguns poucos dias algumas etapas do texto deverão estar publicadas. Até lá, é bunda na cadeira e saco cheio 10 horas por dia. Nada que uma boa trilha sonora e uma enorme dose de paciência não resolvam.


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