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O Irã, as marcas e a Ciberpolítica

Apesar de não ser possível prever o fechamento da crise democrática no Irã, é certo que, naquele país, a chamada Ciberpolítica nunca mais será a mesma a partir de então.

Os recursos digitais foram largamente utilizados na recente campanha, tendo os quatro candidatos utilizado largamente seus websites, mensagens de texto e vídeos no Youtube, sendo o candidato Moussavi quem melhor utilizou os recursos das redes sociais. Por sua vez, o atual presidente Ahmadinejad utilizou o controle dos meios tradicionais, como TV, rádio, jornal e até sermões nas mesquitas aliando-o a sofisticados sistema de censura de mensagens transmitidas por novas tecnologias. O perfil de Mussavi no Twitter atingiu 17 mil seguidores e mais de 70 mil fãs no Facebook, o que não se pode considerar grandes coisas em um país onde, dos 70 milhões de habitantes, 47 milhões possuem telefones celulares e 21 milhões acessam regularmente a web.

O que realmente impressiona é a utilização dos recursos digitais para o anúncio dos resultados. O Twitter se converteu em uma espécie de ventro de informações a partir do momento em que passou a ser utilizado pelos estudante iranianos como meio de informação e convocação para as mobilizações. Com as censuras impostas à imprensa tradicional, o ciberjornalismo através do Twitter e do Youtube se converteu na principal fonte informativa de milhões de pessoas de todo o mundo.

Ao lado da China, o Irã é um dos países mais sofisticados quando o assunto é cibercontrole (ou cibercensura). Basta observar a rápida reação oficial na noite das eleições, quando o acesso à Internet foi cortado em todo o país, assim como a troca de mensagens por celular. Até os servidores do Facebook e do Youtube foram “derrubados” naquele dia.

A demanda por uma democracia mais “ampla e irrestrita” parece estar se globalizando. MAs será que as grandes corporações ocidentais vêm ajudando as autocracias? A recente notícia sobre a suposta utilização da tecnologia da Nokia como instumento de apoio à censura e repressão do governo iraniano faz com que esta pergunta seja relevante, pelo menos em relação a dois aspectos:

1. Como a tecnologia ocidental foi útil à sofisticação das autocracias;
2. Como ciberatibismo pode ajudar a mobilizar a opinião pública contra certas indústrias que mantêm práticas declaradamente contrárias aos direitos humanos fundamentais.

No mundo corporativo do século XXI, a marca é o bem de maior valor de qualquer empresa. É um bem intangível e de alta sensibilidade, cujo valor pode cair a níveis mínimos por causa das retaliações de consumidores globais sensibilizados e comprometivos com a democracia. O Google, por exemplo, sabe bem disso. Por isso, talvez tenha ele incluído em sua Ferramenta de Idiomas a o idioma iraniano no intuito de ajudar a difundir os protestos ocorridos ali. Talvez não o Yahoo, que precisou instalar um comitê global de apoio aos direitos democráticos logo após ter sido julgado pela opinião pública como colaborador da censura digital chinesa.

É, filhos, é uma coisa a se pensar.

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