Pare e pense. Qual é a primeira coisa que lhe vem a cabeça quando escuta o termo Marketing Político? Inevitável não pensar naquele sujeito experiente, quase um bruxo, que, por trás das campanhas eleitorais, utiliza técnicas avançadíssimas para fazer com que mais e mais pessoas votem no seu candidato. E a eleição do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, então? Aquilo sim foi um verdadeiro show de marketing político! O marqueteiro dele deve ter ganho uns milhões e, quem sabe, viabilizado aquele bom e velho Caixa Dois, não é verdade?
Primeiramente, não.
A tradicional abordagem deturpada do marketing político parece estar bem arraigada no Brasil e no mundo. Parte logo do princípio que diz que esta é uma disciplina do processo eleitoral. Depois, atribui a ela um aspecto nebuloso, de bastidores, bruxarias e coisas das quais nem todas as pessoas devem entender. Pesquisas, análises, peças publicitárias, discursos, esses parecem ser os grandes componentes deste tal marketing político do qual todos nós ouvimos falar e até aprendemos a repudiar. Por que, enquanto ferramenta de convencimento de sujeitos muitas vezes não lá muito confiáveis, ele tornou-se um verdadeiro cúmplice dos atos de ludibriar que são tantas campanhas eleitorais.
Digo ser esta uma abordagem deturpada por que o próprio conceito do marketing perpassa e muito o objetivo da conversão, seja ela o voto ou a venda. Uma vez encarado como uma abordagem sistêmica de uma organização ou entidade, o marketing é a filosofia que irá orientá-la a pôr o foco no seu cliente direto ou indireto e fazer com que suas mais diversas necessidades sejam atendidas pela sua oferta. Sendo assim, apesar de ser decisivo no processo eleitoral, um bom marketing político é aquele que, na verdade, ajuda o sujeito político a se relacionar não com o eleitor, mas com o cidadão. Isso por que, uma vez presentes no decorrer de um mandato eletivo, seus princípios farão não só com que um candidato seja bem quisto e bem votado, mas também com que sua atuação, seja ela executiva ou legislativa, seja produtiva e respaldada na sociedade. E, atenção: não estamos, então, falando de um trabalho de relações públicas, que mostre ao povo a atuação do seu parlamentar ou gestor público. Estamos falando de algo que o ajudará a definir e conduzir sua estratégia de atuação a partir de um diagnóstico situacional pautado nas impressões dos cidadãos.
Portanto, meus amigos, esqueçamos o tal marqueiteiro político. Podemos até atribuir-lhe um vocativo técnico, desde que não seja pejorativo (daí o correto marquetólogo). Mas o bom mesmo é que tenhamos mandatos orientados pelo marketing, que trabalhem a partir de seus princípios para fazer daquela uma atividade que traga benefícios ao cidadão, que, em um determinado período e de dois em dois anos, é também um eleitor.
Aí sim, poderemos xingar o tal marketing político, por seus erros e abordagens que distoem das nossas, afinal, vivemos uma democracia. Mas só quando soubermos que o verdadeiro marketing político não é aquele que elege, é aquele que nos ajuda a ter sujeitos políticos mais conscientes e eficientes.

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