A espetacularização de Marina
Programa do PV from Partido Verde on Vimeo.
Que a eleição de Barack Obama nos EUA trouxe diversos benefícios à aldeia global democrática, disto ninguém tem dúvidas. Agora, verdade seja dita, o fenômeno do “Yes, We Can.” foi talvez o maior movimento de espetacularização da política já visto na história da humanidade. Situação que, de fato, tem lá seus benefícios, mas, quando aplicada a uma adolescente democracia como a que vivemos no Brasil, pode trazer mais erros do que acertos ao processo decisório dos cidadãos.
Um bom exemplo disso é a candidatura de Marina Silva (PV-AC) à Presidência da República. A então militante histórica do PT, por duas vezes Senadora pelo Acre e Ministra do Meio-Ambiente do Governo Lula até 2008 (se não me engano), é reconhecida internacionalmente por sua luta pela preservação ambiental e pela adoção de uma economia sustentável nos países em desenvolvimento. Sua candidatura foi recebida com festa pela comunidade internacional, que inclusive citou-a como uma das 100 coisas para observar em 2010.
No entanto, o discurso hype, aliado a um passado sofrido de lutas em favor dos menos favorecidos, fazem de Marina um sujeito político altamente vulnerável à espetacularização, tal qual observamos na primeira eleição de Lula em 2002. O anúncio da equipe de comunicação responsável pela condução da campanha, que tem dentre seus integrantes o premiado cineasta brasileiro Fernando Meirelles, era o ingrediente que faltava para assistirmos a mais uma campanha onde a forma, muito provavelmente, prevalecerá sobre o conteúdo. Nada que não tenhamos visto antes em política – principalmente no Brasil – mas que, no caso de Marina Silva, é uma verdadeira lástima.
Num cenário político onde o discurso de uma terceira via poderia vingar ante uma polarização concentrada em dois candidatos imageticamente inexpressivos, a iminente espetacularização da campanha de Marina é um desperdício o qual não iremos recuperar em muitos anos. Oxalá eu esteja errado e a mensagem, ainda que devidamente floreada, seja absorvida e promovida pela maioria dos brasileiros.
PS: “mantenedora de utopias”?! #WTF
