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A Via Mangue não resolve todo o problema!

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A Via Mangue é uma importante obra viária para o Recife. Ainda que a Prefeitura exagere um bocado na defesa do projeto – tanto no seu anúncio quanto na campanha publicitária -, é indubitável os benefícios que ele trará ao trânsito da cidade. No entanto, é preciso desmistificar estes benefícios, separando o que é valorização política (joio) da sua verdadeira funcionalidade (trigo).

Uma rápida busca no Google pela palavra-chave “via mangue” revela o quão enganada pode estar a atual gestão municipal. Um dos primeiros resultados para esta busca apresenta uma página do website da PCR que descreve a a Via Mangue como o “projeto que resolverá os problemas de trânsito da Zona Sul recifense”. Ora, qualquer cidadão de bem sabe que o complexo trânsito da Zona Sul – que, diga-se de passagem, vai muito além do trecho contemplado – não se resolve com uma única obra, ainda que esta tenha o porte de uma Via Mangue. Os gargalos da Imbiribeira, Piedade e IPSEP, continuarão lá, sofrendo ainda mais com o provável aumento de fluxo gerado por este novo acesso.

Quem transita diariamente nos trechos críticos da cidade sabe que os congestionamentos são causados muito mais por causa da manutenção, fiscalização e educação do trânsito do que pela quantidade de ruas disponíveis para se fazerem os trajetos. É óbvio que, quanto mais espaço, maior será a vazão de veículos, mas isso não signitica que não teremos mais problemas com aquele caminhão de bebidas que estaciona indevidamente ou com aquele buraco que todo mundo insiste em desviar.

Até que a Via Mangue fique pronta – daqui a trinta meses, segundo a PCR -, o Recife deverá ganhar mais de cem mil novos veículos, considerando-se que não haverá grandes alterações no volume mensal de vendas de carros zero quilômetro na cidade. Neste ínterim, projetos imobiliários como o Shopping Rio Mar, o condomínio de edifícios empresarias projetado para o Cais José Estelita e o projeto Porto Novo deverão aumentar significativamente o fluxo de veículos entre o Centro e o bairro de Boa Viagem, tornando ainda mais crítico o gargalo de trechos não contemplados no projeto, como a ligação entre o Viaduto Capitão Temudo e a Ponte Paulo Guerra.

Isso significa que, muito além do que comemorar a aprovação do orçamento para a construção da Via Mangue, a Prefeitura precisa definir e implementar um verdadeiro plano de mobilidade para o Recife, um conjunto de ações que resolva o transporte público, a manutenção das vias, a fiscalização do trânsito e a legislação de uso e ocupação do solo. Sabe-se que esta solução não se dará do dia para noite, mas é preciso que o gestor público trabalhe – e rápido – para que ela aconteça. O recifense não pode esperar trinta meses por uma única obra enquanto a cidade permanece congestionada em diversos pontos.

A Via Mangue irá melhorar significativamente o trânsito da Zona Sul, mas não resolverá o problema da mobilidade no Recife. Enquanto a Prefeitura não pensá-lo como um todo, o horário do rush só aumentará e qualquer chuva se tornará motivo de pânico para quem precisa atravessar a cidade após o expediente.

PS: Quem não conhece o projeto pode conferí-lo no vídeo abaixo: