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Regina Duarte e o terrorismo eleitoral

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Ouvi dizer que o medo voltou a bater à porta de Regina Duarte. Isso por que, de tempos em tempos, e sempre no período da eleição, a outrora namoradinha do Brasil faz questão de vir a público manifestá-lo. Mas não é um medo assim qualquer, tipo o Brasil deixar de ser o Leblon, ou haver um outro estilo musical que não a bossa nova. É um medo muito mais perigoso, do qual toda a pobre, mal educada e mal instruída população brasileira, que a ovaciona nas novelas globais, deva prevenir-se.

O medo de Regina Duarte se resume, basicamente, à possibilidade de o candidato eleito por ela como o único capaz de evitar toda uma desgraça política e econômica não ganhar a eleição. Foi esse medo que a fez, em 1985, participar do programa eleitoral gratuito do então candidato à Prefeitura de São Paulo Fernando Henrique Cardoso (ainda filiado ao PMDB). Nele, a eterna Helena de Manoel Carlos convoca a população a não votar no candidato do PT, Eduardo Suplicy, para evitar que “as forças da corrupção e da ditadura voltem a se juntar e destruam nossa frágil democracia”.

Em 2002, ela volta à cena, desta vez no guia do ex-ministro da saúde do agora presidente FHC, José Serra (PSDB). Assumindo que já “fazia tempo que não tinha este sentimento”, Regina Duarte, devidamente acompanhada por uma trilha sonora pra lá de dramática, presume categoricamente que, naquela eleição, o Brasil corria “o risco de perder toda a estabilidade” que já havia sido conquistada. E que, por isso, votava sem medo em José Serra, que lhe dava segurança de que “aquela inflação desenfreada”, “de 80% ao mês”, não voltaria, o que provavelmente aconteceria se “o outro” (que ela já não conhecia mais) vencesse a eleição.

Sarcasmos à parte, as duas peças revelam uma tremenda falta de responsabilidade e inconsequência para com a democracia e, principalmente, para com o povo brasileiro. Tanto da parte da atriz, que se utiliza de sua projeção pública para coagir a população, quanto da parte dos candidatos e de suas coordenações de campanha, que se utilizam de táticas vis para desestabilizar o debate eleitoral. Vale frisar que não está em jogo aqui uma opinião política acerca do plebiscito PT X PSDB, embora ambas as situações evolvam a forma como um partido aborda o outro. O fato é que os dois casos são exemplos mais do que claros de como as forças políticas envolvidas neste embate abordam de forma descompromissada o Estado Democrático e os cidadãos os quais eles se propõem a representar.

Hoje, primeiro dia de campanha eleitoral, eu espero sinceramente que Regina Duarte não tenha medo. Mas não da instabilidade política e econômica do país, à qual todos nós devemos estar sempre atentos, mas sim de assumir um debate sério e eloquente, comprometido com o desenvolvimento do país e, principalmente, com a qualidade de vida das pessoas. Aí sim, Regina, você será muito benvinda ao guia eleitoral de qualquer que seja o seu candidato.

Oxalá, desta vez, ele tenha, ao menos, receio de lhe por no ar!

2 comentários

  1. Nana comentou em 23.10.2010 às 10:47 am

    Obviamente, você nunca assistiu propaganda eleitoral nos EUA – não no mesmo sentido que no Brasil, já que horário eleitoral não existe; mas no sentido de propaganda meamo, ja que cada partido deve comprar slots na propramacao normal das emissoras para veicularem suas campanhas. Voce ae surpreenderia ao descobrir que ate mesmo na maior democracia do mundo (alegadamente) o medo também é explorado pelos candidatos e aqueles que os apóiam.
    Seu discurso me faz pensar em vice (autor) como um petista desesperado, usando do discurso sobre liberdade de expressão, participação artística na política e estratégias de propaganda contra a inicial estratégia do PT, que constituia-se inicialmente de intelectuais e da classe artística.

  2. Nana,

    A propaganda política é algo que me interessa um bocado, desde quando estava na faculdade de Comunicação. Já tive sima oportunidade de acompanhar uma eleição à presidência dos EUA, em 2008 e ver que, tal como no Brasil, o debate político e pra lá de pasteurizado e descompromissado com os verdadeiros interesses da população. Infelizmente, neste aspecto, esta tal “maior democracia do mundo”, como você se refere ao país, não nos oferece nenhum exemplo interessante.

    Sendo-lhe bem sincero, não me importa muito o que você pensa sobre mim, mas digo-lhe de antemão que minha opinião sobre a situação comentada neste post em nada se refere à liberadade de expressão ou muito menos à participação de segmentos sociais na política do nosso país. Como comento no texto, o que é condenável é a lamentável tentativa de coagir o eleitor, de desestabilizar o debate político a partir de arquétipos que possuem imensa influência comportamental na nossa população de tão baixa renda e escolaridade.

    Portanto, respeitando o seu ponto de vista, não me coloco como um partidário do PT neste artigo, mas, sim, como alguém que preza pelo respeito ao Estado Democrático de Direito e a necessidade de debatermos a política de forma séria e respeitosa.

    Continue visitando o nosso blog.

    Um abraço.

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