Acabo de retornar de uma das jornadas pessoais mais interessantes dos últimos tempos: viver trinta dias sem celular. A idéia (que, confesso, não foi previamente elaborada) surgiu como conseqüência de minha saída do emprego. É que, enquanto funcionário, eu mantinha um celular corporativo, que, além de ser uma ferramenta de trabalho fundamental, servia muito bem ao propósito máximo que o telefone celular exerce na minha vida: o de ser encontrado. A grande curiosidade disso tudo é que, particularmente, pouca falta senti do uso do telefone celular, mas as pessoas que se relacionam comigo só faltaram me esganar.
A maioria dos assuntos que tinha a tratar pelo celular, ou puderam ser resolvidos com um torpedo (enviado via web), um e-mail, ou mesmo terem sido deixados para quando a pessoa estivesse em um telefone fixo. Vale salientar que ligar para o telefone fixo residencial é uma prática que está caindo em desuso e que, na minha opinião, será considerada uma absurda falta de respeito em pouco tempo. Ora, por que ligar para a minha casa se você pode ligar para o meu celular? Sinto que nestes trinta dias sem o aparelhozinho, consegui me virar muito bem, obrigado.
Agora, para aqueles que queriam/precisavam falar urgentemente (e o que não é urgente hoje em dia?), ah, o que eu fiz foi um crime. Como eu faço para falar com você? Estou tentando há dias! Por que não me escreveu um e-mail, ligou para a minha casa, ou mesmo entrou neste site? (Sem resposta). O fato é que estamos viciados no celular. Viciados, vigiados e isso nos parece bom. Bom por que, de fato, as coisas precisam ser resolvidas rapidamente, é verdade. Péssimo por que nem tudo o que imaginamos que precisa ser resolvido sequer tem importância. Péssimo também por que, às vezes, o sujeito simplesmente não está afim de ficar resolvendo aquilo que você imagina que é importante e que, para ele, não o é. E pimba.
Eu me dei o direito de ficar trinta dias sem celular. E desafio aqueles que estão de férias, desempregados, ou mesmo que são donos do próprio nariz a ponto de fazer, que façam o mesmo. Agora, comprei um novo chip e habilitei em um aparelho antigo aqui de casa. Estou novamente rastreável, qualquer que seja o lugar onde eu esteja. Ah, e como este período me mostrou que, na verdade, eu pouco preciso de um telefone celular para assuntos pessoais, comprei um pré-pago. Assim, posso receber, sem ter que necessariamente gastar. Se você tiver algo realmente importante para resolver comigo, é claro que vai atender uma ligação a cobrar.
Então é isso. Espera aí que eu vou atender uma ligação. Abraço!
PS: A quem interessar, meu novo número é 9122.0631.

Cara, eu odeio falar no celular, mas não sei se encararia um desafio desses… Parabéns, não é pra qualquer um!
Já anotei o novo número…
Abs!!