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Um novo perfil para a Juventude Partidária

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A Juventude Partidária como instância participativa da mobilização política precisa ser repaginada. Precisa por que, está mais do que claro que, se antes sua influência se dava essencialmente sobre os movimentos sociais – mais especificamente, no estudantil universitário –, hoje esta se dá diretamente sobre o indivíduo, sem necessariamente estar vinculado a um outro movimento.

Isto se dá, basicamente pelo fato de que, agora, comunicar-se é uma tarefa bem menos árdua do que há 10 anos atrás, por exemplo. A revolução tecnológica-comunicacional permite a qualquer tipo de movimento ou grupamento de indivíduos difundir suas idéias e ideiais através de formatos que atingem diretamente aqueles potenciais participantes.

Vamos exemplificar? Você, estudante universitário da década de 90, identifica-se plenamente com ideias tipo “Fora FMI”. Na barzinho da faculdade, articula-se com alguns amigos, convence outros colegas e, juntos, reativam aquele velho Diretório Acadêmico, que estava destivado desde a queda do Muro de Berlim. A partir daí, amigo, a jornada foi longa, até que, finalmente, você chegou onde queria: o Partido Político.

E hoje? Como se faz? Essencialmente, via Internet. Simples, não? Eu me interesso, busco, encontro, me inscrevo e, já na outra semana, estou me articulando com pessoas que têm ideais bem parecidos com os meus. E nem preciso necessariamente me encontrar com elas semanalmente, basta que o fluxo de nossas discussões (e, principalmente, decisões) se dêem via canais a que todos os integrantes tenham acesso.

É neste sentido que a tal repaginação da Juventude Partidária se daria. Não só a juventude, é verdade, mas qualquer outro movimento, sindicato, associação classista ou qualquer coisa que o valha. Falo especificamente da Juventude por que, primeiro, me identifico com ela e, segundo, por que, em teoria, tem a base mais “conectada” dentre as citadas.

No entanto, o que se vê hoje não é bem por aí. Parece que alguns segmentos da jovem classe política ainda não atentaram que há um caminho alternativo ao movimento estudantil e às lideranças comunitárias. Um perfil que teoricamente tanto se revoluciona, ainda não percebeu que a revolução da comunicação atinge diretamente sua mobilização.

Para mim, está mais do que claro que a Juventude Partidária é uma instância que, ao comunicar-se diretamente com seus potenciais filiados, perceberia os resultados sociais de suas articulações muito mais imediatamente do que através de suas influências nos demais movimentos sociais. Neste sentido, além de permitir a sobrevivência e independência de movimentos essencialmente representativos, como é o caso do estudantil, estaria elevando seu respaldo junto a sociedade. Bonito, né? Mas como fazer isso?

Bom, elenquei, abaixo, algumas alternativas, que podem ou não ser eficazes. Lembro que, quando presidi o Diretório Acadêmico da FCAP/UPE, boa parte destas idéias tiveram suas maiores complicações justamente no momento mais crucial: o da execução.

1. Identifique-se.

Que tipo de Juventude Partidária é você? Certifique-se de que todos os atuais integrantes compreendem o sentido de estar ali e, principalmente, não a entendam como uma porta de entrada ao mundo do Poder.

2. Divulgue-se.

Diga à sociedade que você existe. Promova-se, tal qual um produto. Publique, promova, articule. Nada melhor do que a Internet para fazer isso. Um bom website é um excelente início. A reboque, comunidades de relacionamento, listas de discussão, fóruns, eventos, publicações, artigos em veículos de comunicação.

3. Convide.

Algo é forte quando tem o tal respaldo social. Para isso, é preciso atingir quantidade e qualidade. Dois bons pensadores sozinhos fazem pouco barulho.

4. Estabeleça metas.

Quantos participam hoje? Quantos podem participar? O que se deve fazer para “chegar lá”? Aonde se quer chegar? Transforme os objetivos da entidade em atitudes concretas, cronograme-as e acompanhe o seu desempenho.

5. Desenvolva.

Um bom planejamento sem execução é apenas um lindo pedaço de papel. Atribua e distribua as responsabilidades entre os participantes. Cobre, estabeleça prioridades, tenha sempre um grande tema em voga. Ah, e vale lembrar que este grande tema deve ter a ver com a entidade, não com outros movimentos.

6. Comunique-se.

Faça com que todos os acontecimentos cheguem ao mais remoto dos participantes ou potenciais participantes. Se suas reuniões acontecem no meio da tarde de um dia de semana, na casa de um dos integrantes e tem, em média, 5 participantes, amigo, algum problema há por aí.

7. Avalie, avalie e avalie.

A última etapa do ciclo (qualquer semelhança com PDCA é pura inveja sua) é avaliar antes de fazer de novo, para não fazer errado. Meça a participação, consulte a opinião, solicite que sugestões sejam desenvolvidas. Várias cabeças pensam melhor do que uma.

Enfim, faça com que o respaldo do Partido Político estenda-se à Juventude. Desta forma, tanto a sociedade quanto a própria instituição política hão de encarar a entidade de uma forma “nunca antes vista neste país”.

Ah, vale lembrar que tudo isso é teoria. Na prática eu não, mas deduzo, que a coisa não é tão simples assim. Mas toda prática que começa na teoria tende a ter um indíce de refação menor, não é?

2 comentários

  1. Inês comentou em 04.01.2011 às 11:39 am

    Gostava de me inscrever num Partido, como faço?

  2. gostei muito da conversa on line quero mais palpites pois pertenço a juventude do pt de paranapuã sp,e precisamos de tecnicas que atraem mais pessoas em geral.

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