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Vivendo o outro lado da moeda

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Confesso que nos últimos dias andei com náuseas da política. Àqueles que não sabem, sou filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) há pouco menos de um ano. Do ato da minha filiação pra cá, confesso que pouquíssima ou quase nula foi a minha colaboração para com o partido. Também pudera: duas faculdades na reta final aliadas a uma jornada de trabalho mínima de 10 horas por dia fizeram de mim neste período um companheiro com o qual não se podia contar, em hipótese alguma. Exemplo claro foi a tentativa de me engajar na vitoriosa campanha da então candidata à Vereadora do Recife, Marília Arraes, que não passou de algumas conversas, alguns e-mails e uma reunião na qual prometi um engajamento e não pude cumprir. Paciência.

Mês novo, vida nova. Depois de fritar alguns neurônios decidi pedir minha demissão e viver um período de desempregado convicto. Por opção, escolhi os dois próximos meses do ano (novembro e dezembro) para pensar a e na vida, concluir (finalmente) meus cursos universitários e analisar meu futuro profissional com calma e serenidade. Ah, vale ressaltar que neste ínterim há também umas 3 semanas (no mínimo) programadas para umas merecidas férias.

Particularidades à parte, voltemos a minha náusea. Coincidentemente (ou não), na mesma primeira semana de novembro estão acontecendo dois importantes processos eleitorais no Movimento Estudantil de Pernambuco. A Universidade de Pernambuco (instituição da qual ainda sou aluno) e a UFRPE (instituição com a qual tenho ligações genéticas, se é que você me entende) estão elegendo seus diretórios centrais de estudantes. Para quem não é familiarizado, o DCE é a entidade que aglomera as principais instâncias representativas dos alunos de graduação das universidades, os chamados Diretórios Acadêmicos, ou simplesmente, os Dê-ás.

Como bom militante partidário em falta, venho acompanhando as movimentações da Juventude Socialista Brasileira (a JSB), instância representativa da juventude do PSB, em torno do tema através de uma lista de e-mails. E é daí que vem a minha náusea.

Apesar de não criticar a atuação da entidade, que busca o diáologo com os movimentos sociais a fim de ganhar musculatura e representatividade dentro da sociedade, as práticas adotadas por esta e pelas demais “Juventudes” citadas nos e-mails aos quais tive acesso vão de encontro a tudo (exatamente tudo) o que sempre preguei como militante político universitário.

Apesar de ter tido uma carreira meteórica como Coordenador Geral (o nome que se dá ao presidente de uma “gestão horizontal”) do Diretório Acadêmico da FCAP/UPE, a gestão que propus junto com alguns bons amigos tinha em sua essência abortar o partidarismo e o apartidarismo para adotar o supra-partidarismo político. Isto por que havia 4 anos que a entidade estava sendo dirigida por “militantes históricos” da Universidade, que já rezavam de acordo com a cartilha do Partido desde os primeiros minutos da primeira aula do primeiro período. Esta é uma filosofia que pus em prática (incoscientemente) desde os tempos de Colégio, quando participei por 3 gestões consecutivas da Diretoria do Grêmio Estudantil, e que agora, já barbado, levava à gestão do DA FCAP.

Quando assumimos, a percepção da entidade junto aos estudantes – a quem ela originalmente se propunha a representar – estava em frangalhos. Ninguém mais agüentava “aquela galera do DA”, que mais pareciam alienígenas dentro da Faculdade. Não falavam, nem cantavam (nem punham pra cantar) o que os alunos se interessavam em ouvir e nem mesmo se manifestavam em prol de suas ânsias. Em contrapartida, estavam altamente sintonizados com a direção do DCE, da UNE, da CUT, do MST, da UEP e da ponte que os partiu. Mas base que é bom, nada. Isso provocou um afastamento natural do interesse do aluno e, quando concorremos, tivemos uma expressiva vitória como chapa única.

Minha percepção é que a influência partidária acabara por influenciar a gestão daquela chapa de tal maneira que, apesar de todas as boas intenções e a competência inegável de seus integrantes, o movimento acabou inócuo. Inócuo por que não cumpria o seu papel fundamental, que dá ao movimento estudantil sua razão de existir: o de representar a classe estudantil.

Dois anos depois, estou eu do outro lado da moeda. Filiado, formando e bem menos antenado às questões do ME, me deparo com algumas afirmações na lista sobre “a chapa que iremos eleger” ou “os delegados que iremos levar ao congresso”. Como tenho mais dúvidas do que certezas neste processo, prefiro encerrar este post com alguns pontos de interrogação:

Afinal de contas, quem faz o movimento estudantil? Os estudantes ou os partidos políticos? Qual é a parte que cabe neste latifúndio a cada um destes personagens?

Não seria o caso de o partido garantir e instigar a sobrevivência democrática das entidades representativas para que os estudantes os conduzam?

Até onde vai a tenuidade da linha que separa o líder estudantil do militante político-partidário?

É possível acreditar nas boas intenções do partido junto aos movimentos sociais? Posso excluir a teoria conspiratória da massa de manobra estudantil?

Bom, deixo as questões para vocês, pois eu vou indo nessa tomar o meu Dramin.

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Sobre

fernando de holanda, 25 anos, também conhecido como dukah, é um profissional de marketing antenado na tortuosa relação entre a política e a comunicação.

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